quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Narciso moderno



Era uma vez numa terra cheia de cinzas, de fumaças, de dejetos humanos e projetos de uma raça, um menino que nasceu sob a égide da transformação, sob a forma de perigo constante, destinado a mudar pelos dias e noites como o vento que o leva.
Este menino cresceu e se tornou homem. Este homem cresceu e se tornou gente.
O tempo passou e , no seio de toda a existência deste homem, faz a aflorar a dúvida e a destruição. Enfim, ele percebe que ele não é ele mesmo e que o caminho não era o que ele estava seguindo. Sua face desfalece em vida, sua vida desfigura-se em morte ambulante. Ele é a morte. Num momento de descuido, sua face se reflete ao espelho do banheiro. Ele morre.

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